Homem sendo espancado até a morte por ele ser um Dalit. (casta intocável na Índia)

Dálite

O termo dálite[1] (dalit) foi utilizado pela primeira vez em finais do século XIX pelo ativista Jyotirao Phule para designar o que, no sistema de castas do hinduísmo, são designados como “xudras”, grupo formado por trabalhadores braçais, considerados pelos escritos bramânicos, sobretudo o Manava Darmaxastra, como “intocáveis” e impuros. O termo deriva de uma palavra em sânscrito que significa tanto “chão” quanto “feito aos pedaços”. Desse modo, conota que a condição dos “dálites” é de oprimido e, portanto, não podem reverter essa situação. O termo, assim, é considerado preferível, pelos ativistas e intelectuais dálites, aos mais pejorativos “xudra” e “intocáveis”.

Sistema de castas na Índia

O sistema de castas é uma divisão social importante na sociedade Hindu, não apenas na Índia, mas no Nepal e outros países e populações de religião Hindu. Embora geralmente identificado com o hinduísmo, o sistema de castas também foi observado entre seguidores de outras religiões no subcontinente indiano, incluindo alguns grupos de muçulmanos e cristãos. A Constituição Indiana rejeita a discriminação com base na casta, em consonância com os princípios democráticos e seculares que fundaram a nação. Barreiras de casta deixaram de existir nas grandes cidades, mas persistem principalmente na zona rural do país.

“ Quando desmembraram Puruṣa, em quantas partes o dividiram? Em que a sua boca se transformou? E os seus braços, o que se tornaram? Como são chamadas agora as suas coxas? e os seus pés? A sua boca tornou-se o brāhmaṇa, os seus braços se transformaram no kṣatrya, as suas coxas em vaiśya e dos pés nasceu o śūdra. ”
Define-se casta como grupo social hereditário, no qual a condição do indivíduo passa de pai para filho. O grupo é endógamo, isto é, cada integrante só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo.
Sendo que os grupos são:
os brâmanes (sacerdotes e letrados) nasceram da cabeça de Brahma;
os xátrias (guerreiros) nasceram dos braços de Brahma;
os vaixás (comerciantes) nasceram das pernas de Brahma;
os sudras (servos: camponeses, artesãos e operários) nasceram dos pés de Brahma.
À margem dessa estrutura social, havia os dalits, que vieram da poeira debaixo do pé de Brahma. Mais conhecidos como párias, sem casta, eram considerados os mais atraídos por todas as castas. Hoje, são chamados de haridchens, haryens, dalit, ou intocáveis. Com o passar do tempo, ocorreram centenas de subdivisões, que não param de se multiplicar.
O sistema de castas se baseia numa cosmogonia que explica a estruturação da sociedade a partir de um rito elaborado in illo tempore, quando o ser primordial, Purusha, foi sacrificado. Das parte sacrificadas de Purusha, segundo o mito, surgiram as Varnas (que os portugueses chamaram de castas) e a ordenação da sociedade: da cabeça surgiram os brâmanes, considerados sacerdotes; dos braços, os kshatryas, que são guerreiros; das pernas, os vaishyas, os camponeses e dos pés, os sudras, que são servos.[1] Os estudos sobre a Índia antiga desenvolveram-se bastante a partir do século XVIII e eram realizados por indólogos ou orientalistas, estudiosos europeus, que eram frequentemente funcionários da Companhia das Índias Orientais e treinados na tradição clássica europeia. Enquanto funcionários, auxiliares de administração imperial britânica, precisavam conhecer as leis, a organização político-social e religiosa da Índia, o que os conduzia a aprender a literatura e as línguas locais. Para Edward Said é preciso compreender o orientalismo como um discurso por meio do qual a cultura europeia conseguiu administrar, e produzir, o Oriente política, sociológica, ideológica e cientificamente.

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ANONYMOUS DEATH

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Higanbana

A Índia ainda é um país racista

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