A noite caiu pesada em Castro Alves, no Recôncavo Baiano, e trouxe consigo mais uma sentença executada à bala. Alfredo Gonçalves dos Santos Filho, 22 anos, foi arrancado da própria casa e da própria vida no último sábado (25), abatido dentro do lugar onde deveria existir abrigo.
Os tiros rasgaram o silêncio da Rua do Dendê e espalharam pânico entre os moradores, que chamaram a Polícia Militar ao ouvir a rajada seca da violência habitual. Moradores encontraram Alfredo estendido, perfurado por diversos disparos, ainda preso aos últimos segundos de consciência.
Entre a dor e o sangue, fez um pedido simples, quase infantil, brutal justamente por sua humanidade: “Eu quero água… eu quero beber água”, disse, enquanto a morte já fechava o cerco.
Uma equipe do Samu ainda o socorreu e o levou para uma unidade de saúde, mas o roteiro já parecia escrito desde o primeiro disparo. Alfredo não resistiu.
Segundo informações iniciais, homens ainda sem rosto e sem nome invadiram a residência e abriram fogo. Fugiram deixando para trás cápsulas, medo e mais uma família devastada. A autoria e a motivação seguem envoltas na sombra previsível da impunidade.
A Polícia Civil da Bahia investiga o caso. Mais um inquérito nasce onde outra vida terminou.





