A gravação foi feita nas proximidades de Crucero a Chametla, cerca de sete quilômetros ao sudeste de El Rosario, em Sinaloa. As coordenadas divulgadas apontam para um trecho isolado onde a escuridão domina a paisagem e a lei parece existir apenas no papel.
As imagens mostram dois jovens sem camisa, imóveis, com as mãos para trás. Uma luz intensa corta a noite e expõe seus rostos. Atrás deles, apenas arbustos e sombras.
O primeiro prisioneiro afirma ser originário de Durango. Diz ter ingressado voluntariamente na organização e trabalhado para MF e Los Cabreras. Ao ser questionado sobre seus superiores, menciona os nomes HR e Pica.
O segundo homem se identifica como Exelimón Velásquez Sábalos, natural de Torreón, Coahuila. Seu nervosismo é evidente desde os primeiros segundos. Ele afirma ter sido sequestrado. Quando o interrogador declara que MF e a chamada Máfia Cabrera não são bem-vindos em Sinaloa, o homem entra em desespero. Passa a implorar. Repete diversas vezes que está com Chapiza, como se a simples menção de um nome ainda pudesse comprar alguns minutos de vida.
Mas o desfecho já estava decidido antes mesmo de a câmera começar a gravar.
Uma faixa já havia sido preparada. A mensagem estava escrita. O veredito estava definido. As palavras dos reféns não mudariam nada. O vídeo não era uma negociação. Era uma sentença transformada em espetáculo.
A Bandeira
A mensagem exibida invoca Mayito Flaco, Los Cabreras e Alberto David Rubio Zamora, conhecido como “El Mudo Antrax”. O texto rejeita qualquer proposta de retirada ou rendição. A resposta ao convite para “dar meia-volta” é direta: não.
O autor da mensagem declara ser, e continuar sendo, “100% Chapo”. Mais do que uma ameaça, a faixa funciona como uma demarcação territorial escrita em linguagem de guerra. O aviso final deixa pouca margem para interpretação: qualquer grupo que tente avançar sobre o sul de Sinaloa poderá enfrentar o mesmo destino.
Ao final aparece uma assinatura simples, mas carregada de significado dentro do conflito: “80”.
A referência é amplamente associada a El Gabito, também conhecido como El 80, operador ligado à estrutura de Chapiza e com influência em El Rosario e no sul de Sinaloa. Seu nome surge como mais um lembrete de que a disputa entre cartéis não é apenas uma guerra por rotas e território. É também uma disputa por medo, reputação e demonstração de força, onde cada vídeo divulgado funciona como um comunicado de guerra destinado tanto aos rivais quanto à população que vive sob a sombra desse conflito.
Tradução do vídeo:
Sicario: De onde você é?
Cativo nº 1: Sou originalmente de Durango.
Sicario: Como você foi recrutado?
Cativo nº 1: Eu me ofereci para o trabalho.
Sicario: Para quem você trabalha?
Cativo nº 1: MF e Los Cabreras.
Sicario: Quem eram seus comandantes?
Cativo nº 1: HR e Pica.
Sicario: E você, qual é o seu nome?
Cativo #2: Exelimón Velasquez Sábalos.
Sicario: De onde você é?
Cativo #2: Torreón, Coahuila.
Sicario: Como você foi recrutado?
Cativo nº 2: Eu fui sequestrado, senhor.
Sicario: Para quem você trabalha?
Cativo nº 2: RH e MF
Sicario: Quem eram seus comandantes?
Cativo nº 2: HR e Pica.
Sicario: As gangues MF e Cabrera não são bem-vindas em Sinaloa!
Cativo nº 2: Por favor, senhor, não! Por favor, me ajude! Nós somos aliados da máfia de Chapiza, senhor! Nós somos aliados da máfia de Chapiza! Nós somos aliados da máfia de Chapiza!
Sicario: Só para você saber. Este será o destino de qualquer um que cheire a máfia MF ou Cabrera. Nós somos a máfia Chapiza. Somos uma máfia absoluta a favor de El 80.






