Ao menos sete pessoas morreram durante uma onda de violência provocada por gangues que se espalha pelo sudeste do Haiti. O ataque aconteceu na localidade de Seguin, na comuna de Marigot, onde homens armados também incendiaram uma delegacia de polícia e destruíram viaturas, ampliando o clima de insegurança na região.
O episódio ocorreu na noite de 13 de abril e reflete a expansão da violência para além da capital, Porto Príncipe, atingindo áreas antes consideradas mais tranquilas. Segundo Lionel Lazarre, ex-porta-voz da Polícia Nacional Haitiana, a situação é crítica e a população segue pedindo ajuda diante dos ataques constantes.
Lazarre fez um apelo urgente às autoridades para que retomem o controle da região, reforcem a segurança e evitem novas vítimas. “Seguin não pode se tornar um território perdido”, alertou.
Até o momento, não há informações sobre os responsáveis pelo ataque nem sobre suas motivações. A comunidade de Marigot permanece em estado de luto e medo. Moradores relatam cenas de devastação, e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram vítimas carbonizadas. Entre os mortos identificados estão Sonet Andresen, Joel e Jeff.
A violência, no entanto, não se limita ao sudeste. Na região de Artibonite, o grupo armado Savien atacou as localidades de Kapenyen e Esther no mesmo dia, incendiando diversas casas. Ainda não há dados oficiais sobre vítimas nessas áreas.
Esse novo episódio ocorre semanas após um massacre na localidade de Jean-Denis, onde a gangue Gran Grif matou mais de 70 pessoas, deixou dezenas de feridos e destruiu mais de 50 residências.
A escalada da violência evidencia o avanço dos grupos armados pelo país, alcançando regiões como Artibonite e o departamento de Centre. Esses locais, antes considerados relativamente estáveis, agora enfrentam ameaças constantes.
Em todo o Haiti, gangues têm ampliado o controle sobre estradas e áreas agrícolas estratégicas, comprometendo o abastecimento de alimentos e forçando o deslocamento de comunidades. Em muitas dessas regiões, a presença do Estado é limitada ou inexistente, agravando ainda mais a crise de segurança.






