
Membros do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), considerado um dos grupos criminosos mais poderosos do México, provocaram uma série de ataques em 20 estados do país após a morte de seu líder, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”.
Ele foi capturado por forças especiais mexicanas após um confronto armado com seus seguranças, no qual ficou gravemente ferido. O traficante morreu enquanto era transferido de Tapalpa, em Jalisco, para a Cidade do México. Pelo menos seis de seus guarda-costas morreram na operação, e três militares ficaram feridos.
Com a confirmação da morte, integrantes do cartel iniciaram represálias em diversas regiões onde o grupo atua. Foram registrados incêndios em estabelecimentos comerciais, bloqueios de estradas com veículos queimados, uso de pregos espalhados no asfalto e sequestro de ônibus que depois foram incendiados.
Cidades como Puerto Vallarta e Guadalajara registraram momentos de pânico. No aeroporto de Guadalajara, passageiros correram e se jogaram no chão após relatos de disparos próximos à rodovia. Autoridades negaram tiros dentro do terminal.
Em Puerto Vallarta, vídeos mostraram colunas de fumaça e carros em chamas em vários bairros. Cerca de 300 turistas ficaram retidos no aeroporto após cancelamentos de voos e foram escoltados até o centro da cidade sob forte esquema de segurança.
Autoridades locais orientaram moradores a permanecerem em casa. O governo de Jalisco decretou “código vermelho”, suspendendo o transporte público e aulas presenciais.
Segundo dados oficiais, mais de 250 bloqueios foram registrados nos estados afetados. A maioria já foi desfeita, mas a tensão permanece, especialmente em Jalisco, reduto do cartel. Ao menos 25 pessoas foram presas por envolvimento em atos violentos e saques.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população e afirmou que, na maior parte do país, as atividades seguem normalmente. Ela elogiou a operação conduzida pelo Exército com apoio da Guarda Nacional e da Força Aérea, que contou com informações compartilhadas pelos Estados Unidos.

O governo norte-americano classificava El Mencho como alvo prioritário por seu papel no tráfico de fentanil. O Departamento de Estado oferecia recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura.
Especialistas avaliam que a operação representa um dos golpes mais significativos contra o narcotráfico mexicano nos últimos anos, embora alertem para possíveis novos episódios de violência como retaliação dos cartéis.









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