Bamako (Mali) — Uma emboscada violenta, reivindicada pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), atingiu um comboio do Exército do Mali e de seus aliados russos na sexta-feira (1º/8) na região de Mopti, centro do país. A ação, segundo o grupo afiliado à Al-Qaeda, teria causado baixas nas fileiras inimigas, embora o número exato não tenha sido revelado.
O ataque ocorreu na área de Tenenkou, em plena zona de conflito, e foi anunciado pelo canal de propaganda jihadista Azzallaqa. O Estado-Maior das Forças Armadas Malinesas (EMGA) confirmou a emboscada no mesmo dia, informando que o confronto estava “em andamento” e mobilizando reforços.
Segundo o relatório S/2025/482 do Conselho de Segurança da ONU, o JNIM vem ampliando seu poder de fogo no Mali, utilizando drones, artefatos explosivos improvisados (IEDs) e táticas de guerrilha para aumentar a pressão sobre o exército e consolidar áreas sob controle.
No mesmo dia do ataque, as autoridades anunciaram a prorrogação por 30 dias do toque de recolher em Kayes, no oeste do Mali, fronteira com o Senegal. A medida, válida de 1º a 30 de agosto, restringe a circulação entre meia-noite e 5h da manhã. A decisão foi tomada após uma série de ataques coordenados em 1º de julho contra posições militares e cidades estratégicas, também atribuídos ao JNIM.
Esses ataques em Kayes — descritos como “sem precedentes” pelo governo — deixaram dezenas de mortos, forçaram deslocamentos populacionais e geraram tensão até em áreas fronteiriças do Senegal. O exército afirmou ter neutralizado mais de 80 combatentes e apreendido um grande arsenal, mas números independentes não confirmaram a informação.
O Mali vive um cenário de guerra irregular em múltiplas frentes, com jihadistas atuando simultaneamente no oeste, centro e leste do país. O governo intensifica operações militares e apela à população para colaborar com informações, enquanto a instabilidade se agrava.







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