Tratamento à base de mata-leão: clínica é investigada por tortura em Passos

A Polícia Civil de Passos finalmente resolveu pedir a suspensão das atividades da clínica de dependentes químicos onde a “terapia” aparentemente incluía agressões, estrangulamento e tortura. As cenas, gravadas em vídeo, mostram um paciente sendo espancado como se estivesse em um ringue clandestino — só que o cenário era uma clínica de reabilitação.

Nesta sexta-feira (18/6), a polícia ouviu mais um paciente, que relatou ter sido submetido a torturas psicológicas e físicas na unidade, localizada às margens da MG-050. Um endereço conveniente para quem prefere que certos métodos fiquem fora do campo de visão.

Segundo o delegado regional Marcos Pimenta, as agressões teriam ocorrido em outubro do ano passado, mas só agora ganharam a devida atenção — curiosamente depois que os vídeos vieram à tona. Até então, tudo parecia correr dentro da “normalidade”.

As imagens são explícitas: um paciente é agredido, enforcado com um mata-leão, recebe golpes na cabeça e, em outro momento, é sufocado com um saco plástico. Nada que combine muito com tratamento de saúde, mas aparentemente aceitável dentro da rotina da clínica até alguém apertar o botão de gravar.

Em abril, um homem procurou a Polícia Civil relatando maus-tratos sofridos durante seu período de internação. A partir daí, foi instaurado um inquérito, com depoimentos da vítima, da dona da clínica e dos funcionários envolvidos. Os fatos narrados coincidem com o conteúdo dos vídeos, que agora passam por perícia — afinal, é preciso cuidado técnico antes de transformar violência escancarada em ação penal.

As gravações foram feitas por outro funcionário da clínica. A vítima precisou ser encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento devido às lesões, conforme o boletim de ocorrência. Detalhe pequeno, mas relevante: o paciente saiu do “tratamento” direto para o hospital.

A clínica
A Clínica Doze Pilares divulgou nota dizendo que “repudia qualquer ato de violência” — uma posição bastante firme para quem só se manifestou depois que os vídeos circularam. Informou ainda que os dois funcionários envolvidos foram demitidos, como se o problema se resolvesse com um desligamento administrativo.

Na nota, assinada pela sócia da empresa, a clínica afirma estar à disposição para colaborar com as investigações. Agora, resta saber se essa disposição existia antes das imagens chocarem o público ou se surgiu apenas quando ficou impossível fingir que nada aconteceu.

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MAJOR

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