Em Maués, no interior do Amazonas, a violência escreveu mais um capítulo de sua rotina cruel. Elias Ferreira Monteiro Filho foi encontrado morto com golpes de arma branca, nas proximidades do aterro do Ramalho Júnior.
Sobre uma pequena canoa, dona Dacinilza Medeiros atravessa o rio ao lado do caixão do filho. Uma cena silenciosa, quase brutal em sua simplicidade. Não há sirenes, discursos ou homenagens. Apenas uma mãe cumprindo o ritual mais cruel que a vida pode impor: buscar o próprio filho para levá-lo de volta para casa, desta vez sem esperança de vê-lo respirar novamente.
Moradora da comunidade Santa Marta, no Paraná do Urariá de Cima, zona rural de Maués, ela deixou sua casa para enfrentar a última viagem ao lado de Elias.
“Meu filho tinha seus erros, vivia por aí, mas era um ser humano, não merecia o que fizeram com ele. Eu vim pegar meu filho, quero levar ele pra casa. É o último trabalho que ele vai me dar, mas quero levar ele pra casa”, disse, entre a dor e a resignação.
As palavras carregam o peso de quem tentou impedir o inevitável.
“Eu já tinha conversado muito com ele, tinha pedido pra ele sair dessa vida, mas ele não quis ouvir. Olha o que aconteceu agora.”
Depois dos procedimentos legais, o caixão foi colocado na pequena embarcação da família. O rio seguiu seu curso. A mãe também. Carregando um filho que, desta vez, jamais voltaria para casa pelos próprios passos.
Enquanto a imagem viraliza nas redes sociais, a investigação continua. A Polícia Civil do Amazonas ainda busca identificar a autoria e a motivação do homicídio.







