A violência que começou em uma discussão banal terminou em tragédia no município de Tomé-Açu, no nordeste do Pará. A jovem Alciele Almeida de Alencar, de 31 anos, teve a morte cerebral confirmada na tarde de terça-feira (10), após dias internada em estado crítico. Ela havia sido brutalmente espancada pelo próprio companheiro, Pedro do Nascimento Santana Júnior.
O crime ocorreu na noite de domingo (1º) e chocou moradores pela extrema violência. Segundo as investigações, o agressor desferiu mais de 100 socos e chutes, concentrados principalmente no rosto da vítima. Testemunhas relataram que, após derrubá-la no chão, ele continuou o ataque de forma contínua, ignorando os pedidos de socorro de quem presenciava a cena.
Alciele sofreu múltiplas fraturas faciais e traumatismo craniano grave. Ela foi levada inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento de Tomé-Açu, mas, diante da gravidade dos ferimentos, precisou ser transferida de avião para outra unidade hospitalar.
Durante dias, a jovem permaneceu entubada e sob cuidados intensivos. O cérebro apresentava um inchaço severo e a equipe médica monitorava o risco de danos neurológicos irreversíveis. Na terça-feira, o pior cenário foi confirmado: morte cerebral.
A sequência da violência
De acordo com a Polícia Civil do Pará, a agressão começou após uma discussão em um bar. Durante o desentendimento, Pedro atingiu Alciele com uma lata de cerveja. Quando ela tentou ir embora na garupa de um mototáxi, ele iniciou uma perseguição.
O suspeito provocou um acidente que derrubou os dois veículos. Mesmo com a vítima desacordada no chão, continuou a espancá-la com dezenas de socos no rosto.
Testemunhas afirmaram que ele chegou a ameaçar quem tentava prestar socorro, prolongando ainda mais a violência.

Prisão e investigação
Após o ataque, o agressor fugiu, mas foi localizado na manhã de segunda-feira (2) após buscas da Polícia Militar do Pará. Ele foi levado para a Delegacia de Quatro Bocas, onde foi autuado em flagrante por tentativa de feminicídio.
Durante o depoimento, Pedro confessou ter agido com a intenção de matar.
Histórico de violência
A família de Alciele revelou que o relacionamento com o agressor durava cerca de 11 anos. O casal tinha três filhos.
Segundo os familiares, a vítima já havia registrado pelo menos três boletins de ocorrência em 2025 por agressões anteriores. Mesmo assim, a violência continuou até culminar no espancamento que destruiu sua vida.

Comoção na comunidade
O caso provocou forte revolta em Tomé-Açu e reacendeu o debate sobre violência doméstica e feminicídio no estado do Pará. Para muitos moradores, a brutalidade do crime expôs uma realidade silenciosa que ainda se repete dentro de muitas casas.








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