O que deveria ser apenas mais uma tarde comum na movimentada avenida Augusto B. Leguía, no centro de Chiclayo, no norte do Peru, terminou em tragédia — daquelas que costumam ser chamadas de “acidente” só para aliviar responsabilidades. Uma explosão em uma oficina mecânica matou um jovem trabalhador e deixou uma mulher gravemente ferida, escancarando mais uma vez o custo humano da improvisação e do descaso com a segurança.
O episódio ocorreu na oficina “Ticolandia”, situada no número 2221 da avenida, a poucos metros do cruzamento com a Eufemio Lora y Lora. Um endereço conhecido, movimentado e, ao que tudo indica, perigosamente despreparado para o tipo de trabalho que realizava.
De acordo com as primeiras informações da Polícia Nacional do Peru, a explosão foi provocada pela detonação de um tanque de carboneto durante serviços de manutenção. Em termos simples: um material altamente perigoso sendo manuseado até que, previsivelmente, tudo deu errado.
A força da explosão não deixou espaço para segundas chances. Víctor Manuel Mechán More, jovem operário da oficina, morreu na hora — mais um nome que entra para a estatística silenciosa dos trabalhadores que não voltam para casa no Peru. Mirla Vásquez Ayay, que também estava no local, sofreu ferimentos faciais severos e foi deixada em estado grave.
Equipes de resgate de Chiclayo chegaram rapidamente e encaminharam a mulher ao Hospital Regional de Lambayeque. Já para Víctor, restou apenas o protocolo: isolamento da área, chegada dos peritos, ordem do Ministério Público e remoção do corpo para o necrotério central da cidade.
Agora, como manda o roteiro repetido à exaustão no país, as autoridades peruanas investigam as causas do ocorrido e apuram se a oficina cumpria — ou apenas fingia cumprir — as normas de segurança e as licenças exigidas. Enquanto isso, uma família enterra um filho e outra aguarda notícias no hospital, lembrando que a negligência no Peru continua cobrando seu preço em vidas.






