Um professor aposentado teve o azar de confiar sua propriedade a criminosos — erro que lhe custou a vida de forma especialmente cruel. Sequestrado, e assassinado, ele ainda serviu como fonte de renda para seus algozes, que não tiveram o menor constrangimento em extorquir uma família em desespero mesmo depois de já tê-lo condenado à morte.
A chamada “perigosa quadrilha”, como agora é descrita nos comunicados oficiais, só virou prioridade após cumprir todo o roteiro do crime. O Grupo Tiburón da SSPC resolveu agir no dia 7 de janeiro, em Río Seco e Montaña, quando os assassinos já circulavam tranquilamente com armas e drogas, como se a impunidade fosse parte do pacote.
As investigações indicam que o sequestro do professor Pimienta foi avaliado em dois milhões de pesos. A família, como tantas outras, fez o que pôde: pagou parte do resgate na esperança — ingênua, como se revelou — de recuperar o ente querido. Os criminosos, fiéis à própria natureza, nunca tiveram intenção de libertá-lo.
Um vídeo em posse da Procuradoria-Geral da República dispensa qualquer dúvida sobre o nível de desumanidade envolvido. As imagens mostram os detidos jogando o professor ainda vivo em uma vala, esfaqueando-o e cobrindo-o com terra. O resultado foi uma morte lenta, brutal e absolutamente evitável — se a criminalidade não tivesse tanto espaço para agir antes de ser “descoberta”.
Somente ontem veio a confirmação oficial: os restos mortais do professor foram encontrados em uma estrada rural de Huimanguillo. Tarde demais para ele. No tempo habitual para o Estado.






