Brasileiro é assassinado no Peru após roubo de drogas do Comando Vermelho

O brasileiro Raimundo Nonato Braga de Andrade não foi morto por acaso nem por engano. Foi executado. Às 7h12 da manhã do dia 06 de Janeiro, em plena luz do dia, enquanto levantava a porta do próprio comércio no centro de Pucallpa, no Peru, recebeu um tiro na cabeça — direto, frio, definitivo. O recado foi claro e entregue sem rodeios: dívida com o crime organizado não prescreve.

O autor do disparo aproximou-se como quem cumpre expediente. Apertou o gatilho e fugiu de motocicleta com apoio logístico. Horas depois, confessaria o óbvio: foi pago para matar. O crime reforça o que a polícia já tratava como linha principal de investigação — um acerto de contas ligado ao tráfico internacional de drogas e ao Comando Vermelho.

As autoridades de Ucayali apontam que Nonato teria roubado 150 quilos de drogas pertencentes ao líder local da facção criminosa, conhecido como “Panza”. O furto, ocorrido dois meses antes em Abujão, território controlado pela organização, selou o destino da vítima.

Câmeras de segurança registraram toda a operação. As imagens mostram a eficiência típica de crimes encomendados: um jovem se aproxima, a vítima está vulnerável, um único disparo à queima-roupa, fuga imediata. O vídeo se espalhou rapidamente pelas redes sociais.

A Polícia Regional de Ucayali reagiu rápido, pressionada pela repercussão e pela escalada da criminalidade. Em menos de duas horas, três suspeitos estavam detidos. Entre eles, Alex Ampuero Tamani, 18 anos, vulgo “Negro”, apontado como o pistoleiro. Em depoimento, admitiu ter recebido 900 soles pelo serviço e revelou que monitorava Nonato havia semanas. A execução não foi impulso; foi planejamento.

Segundo a investigação, Abner Enrique Molina Castillo, o “Pelacho”, coordenou a ação, cuidou da logística e escondeu a arma e a motocicleta. José Eduardo Isuiza Peso, o “Cheroca”, atuou como piloto de fuga. Uma engrenagem simples, barata e eficiente.

Nonato não era um comerciante inocente surpreendido pela violência urbana. Tinha antecedentes por tráfico de drogas no Brasil, onde cumpriu pena no Acre antes de se mudar para o Peru. Em Pucallpa, montou um pequeno negócio, fachada comum para quem busca se integrar socialmente sem abandonar velhas práticas. Investigações indicam que ele mantinha vínculos ativos com o narcotráfico e até uma plantação de coca na região.

Sua presença em Ucayali coincide com a expansão agressiva do Comando Vermelho na fronteira amazônica. A facção tem recrutado brasileiros com histórico criminal para operar como intermediários, operadores logísticos e gestores do tráfico transnacional. Prisões recentes de figuras ligadas ao grupo, inclusive procurados pela Interpol, confirmam que o território peruano deixou de ser rota secundária e passou a integrar o mapa estratégico da organização.

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