Nem o estado de emergência parece conter a espiral de sangue que consome Lima, capital do Peru. Dois homens foram assassinados a tiros em plena luz do dia, neste sábado (25 de outubro), no bairro de Los Olivos, em meio ao avanço silencioso da criminalidade organizada que transforma o país em território de medo e disputa.
As vítimas, que se deslocavam em motocicletas, foram executadas em ataques separados, mas com a mesma assinatura brutal.
A Polícia Nacional do Peru (PNP) investiga os casos e não descarta uma disputa territorial pelo controle das cobranças de extorsão e “proteção” — um eufemismo para o imposto do medo — dominadas pela facção “Los Gallegos”, braço da temida organização venezuelana Tren de Aragua, que há anos espalha suas raízes criminosas por diversos países da América Latina.
Execuções em plena tarde
O primeiro ataque aconteceu por volta das 13h, nas imediações da Avenida Universitária com a Rua Los Alisos, em Los Olivos, Lima (Peru). Câmeras de segurança captaram o momento em que dois homens, em uma motocicleta, se aproximam de suas vítimas e abrem fogo sem hesitar.
A vítima, identificada como Christian Moisés Mendes Arellanos, de 30 anos, cidadão venezuelano, cai no asfalto enquanto uma voz ecoa nas imagens:
— “¡Somos los Gallegos!”
A mensagem foi clara: não era um simples acerto de contas, mas um recado público de domínio.
Minutos depois, a apenas dois quarteirões, outro homem foi perseguido e morto nas proximidades da Avenida Naranjal, em uma área tomada por obras da Sedapal — o cenário perfeito para uma execução sem testemunhas dispostas a falar.
Moradores disseram à Panamericana que os dois assassinatos estão interligados e que as vítimas, possivelmente, participavam do mesmo esquema de extorsão que alimenta o submundo local. O Departamento de Homicídios da PNP tenta agora confirmar se os crimes foram coordenados pela facção Los Gallegos, que busca consolidar o controle da região.
Os donos do medo
‘Los Gallegos’ são mais que um grupo: são a extensão de um império criminoso. Braço do Tren de Aragua, nascido nas prisões venezuelanas, e estendeu suas operações ilícitas a diversos países da América Latina , levando consigo uma estrutura de terror e lucro.
Em Lima, sua influência cresce sob o manto da extorsão sistemática, tráfico de pessoas, sequestros e o esquema sufocante de empréstimos ilegais conhecidos como “gota a gota” — um sistema onde quem deve, deve com a vida.







