Na acolhedora cidade rural de Sahuayo, em Michoacán, o jornalismo policial mais uma vez ganhou uma cena digna de filme de terror — só que real. Um vídeo divulgado por fontes policiais mostra o traficante Federico Avalo Sánchez, mais conhecido como El Siri, implorando pela vida enquanto pistoleiros rivais abrem seu peito antes de iniciar o ritual de desmembramento.
Sim, caro leitor, nem os estúdios de Hollywood ousaram tanto: aqui, a sessão de tortura virou ao vivo. El Siri, membro do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), foi obrigado a confessar o envolvimento com autoridades locais, incluindo o prefeito Rodrigo Sánchez Zepeda e aliados próximos, antes de virar literalmente pedaços de prova.
Ao lado do que sobrou dos corpos — porque Siri foi só a “estrela”, havia outro cadáver de figurante não identificado — os assassinos deixaram um cartaz. Nele, exigem que o prefeito e seus aliados parem de “ajudar” o CJNG. O recado é simples e direto: ou se escolhe o cartel certo, ou se acaba como Siri, com o coração aberto não em metáfora, mas em carne viva.
O episódio é mais um capítulo da guerra sangrenta entre a Nueva Familia Michoacana (e seus parceiros, os Viagras) contra o CJNG. A cada nova execução, a política local se confunde ainda mais com o crime organizado. Enquanto uns fazem campanha com jingles e santinhos, outros preferem cartazes ensanguentados e vídeos de tortura como material de divulgação.
No meio disso tudo, a população de Sahuayo segue refém de um jogo macabro: escolher entre um cartel que governa com propaganda e outro que governa com facão. Democracia, no fim das contas, é só uma palavra bonita — aqui, quem vota mesmo são as balas.





